terça-feira, 18 de junho de 2013
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Espanhóis residentes no Recife se reúnem para apoiar a Fúria

23:04

Estudantes da língua espanhola se juntam à torcida no Instituto Cervantes e acompanham a vitória da Espanha sobre o Uruguai por 2 a 1 na Arena PE


Gabriel de Paula. Eis o nome da inquietação. De um lado para o outro, as perninhas se movimentavam sem parar em um corre-corre incansável. Roía os dedos, subia nas cadeiras e pedia água. A ansiedade estava ali, saltando aos olhos. O pequeno foi o primeiro a chegar no Instituto Cervantes, reduto da comunidade espanhola no Recife. Abriu a porta e mirou o telão, ainda desligado. A mãe, Nélia de Paula, e os avós, dona Terezinha e Nilcíades tentavam acalmá-lo pedindo para que ele sentasse. Em vão. A ansiedade de Gabriel só terminaria quando a bola rolasse.

Filho de espanhóis, Gabriel era só ansiedade antes do jogo contra o Uruguai (Foto: Daniel Gomes)



O menino tem seis anos. Curiosamente, carregava sua idade nas costas, na camisa da Espanha que vestia. O nome acima era do seu ídolo: Iniesta. Assim como a velocidade de suas pernas, a pergunta se repetia.

- Vai demorar muito?

Logo depois de Gabriel, foram chegando mais espanhóis residentes no Recife. Alguns, alunos do Instituto Cervantes, instituição cultural onde se ensina a língua espanhola. O "buena noche" das pessoas ia se multiplicando e, junto com elas, as camisas da Fúria e as bandeiras da Espanha. Naquele lugar localizado na Avenida Agamenon Magalhães, uma das mais movimentadas do Recife, os atuais campeões do mundo tinham uma torcida quente.


Alunos do Instituto Cervantes se reuniram para
torcer pela Espanha (Foto: Daniel Gomes)

Vários recorreram ao abrigo do Instituto Cervantes por pura falta de sorte. Ou de atenção. Foi o caso de Gabriel, que "pagou o preço" de não estar a alguns quilômetros dali, na Arena Pernambuco. Nélia tentou explicar.

- Eu não prestei atenção na venda dos ingressos. Quando fui ver, já era tarde demais. Fiquei frustrada por não poder levar Gabriel para a Arena Pernambuco. Ele ia amar.

Gabriel nasceu no Recife em 2007. Desde que veio ao mundo, não viu a Fúria decepcionar. Em 2008, campeã da Eurocopa. Em 2010, campeã do mundo. Em 2012, voltava a ser campeã da Europa. O menino viu tudo. Às vezes de longe, outras de perto. Afinal, ele é cidadão espanhol graças ao seu pai, que nasceu e ainda reside na Espanha. Sua mãe também é cidadã espanhola. Quando viaja ao Velho Continente, o fã de Iniesta, que também é aluno do Instituto, não decepciona: vai ao combate.

Foi assim na última vez que esteve em terras espanholas. Em agosto de 2012, foi ao Santiago Bernabéu ver o clássico entre Real Madrid e o Barcelona do seu ídolo. Naquela oportunidade, vitória dos Merengues por 2 a 1 e o título da Supercopa. Mas, em meio a ansiedade, Gabriel sabia que era o dia do troco.

- Quero ver Iniesta. Ele vai fazer um gol e vamos vencer por 3 a 0 - dizia o menino, em um português que se entrelaçava com o espanhol.

Quando as luzes se apagaram e o jogo começou a se desenhar no telão, Gabriel se ajeitou na primeira fila, ao lado de sua mãe. Não demorou muito para a aula começar. Atento, Gabriel viu tudo com os olhos vidrados. Piscar era difícil. Saiu o primeiro gol da Espanha. Logo, o outro. Em todas as vezes, o menino foi para os braços da mãe comemorar juntamente com a torcida de cerca de 50 "espanhóis". O primeiro tempo terminou e ele veio correndo - como de costume - dar um recado.

- Ainda falta o Iniesta!

O gol tão esperado não veio. Suárez acabou diminuindo para o Uruguai. Apesar da história do jogo pegar uma rota nunca imaginada por Gabriel, o menino abriu um sorriso largo no fim da partida. A declaração dada antes de ir embora mostrou que a confiança nos atuais campeões mundiais continua inabalável, assim como a idolatria por Iniesta.

- A Espanha venceu, você viu só? Iniesta joga muito! O próximo jogo é 3 a 0 para a Espanha.


Fontes:
http://g1.globo.com
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