Estudantes da língua espanhola se juntam à torcida no Instituto Cervantes e acompanham a vitória da Espanha sobre o Uruguai por 2 a 1 na Arena PE
Gabriel de Paula. Eis o nome da inquietação. De um lado para o outro, as perninhas se movimentavam sem parar em um corre-corre incansável. Roía os dedos, subia nas cadeiras e pedia água. A ansiedade estava ali, saltando aos olhos. O pequeno foi o primeiro a chegar no Instituto Cervantes, reduto da comunidade espanhola no Recife. Abriu a porta e mirou o telão, ainda desligado. A mãe, Nélia de Paula, e os avós, dona Terezinha e Nilcíades tentavam acalmá-lo pedindo para que ele sentasse. Em vão. A ansiedade de Gabriel só terminaria quando a bola rolasse.
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| Filho de espanhóis, Gabriel era só ansiedade antes do jogo contra o Uruguai (Foto: Daniel Gomes) |
O menino tem seis anos. Curiosamente, carregava sua idade nas costas, na camisa da Espanha que vestia. O nome acima era do seu ídolo: Iniesta. Assim como a velocidade de suas pernas, a pergunta se repetia.
- Vai demorar muito?
Logo depois de Gabriel, foram chegando mais espanhóis residentes no Recife. Alguns, alunos do Instituto Cervantes, instituição cultural onde se ensina a língua espanhola. O "buena noche" das pessoas ia se multiplicando e, junto com elas, as camisas da Fúria e as bandeiras da Espanha. Naquele lugar localizado na Avenida Agamenon Magalhães, uma das mais movimentadas do Recife, os atuais campeões do mundo tinham uma torcida quente.
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| Alunos do Instituto Cervantes se reuniram para torcer pela Espanha (Foto: Daniel Gomes) |
Vários recorreram ao abrigo do Instituto Cervantes por pura falta de sorte. Ou de atenção. Foi o caso de Gabriel, que "pagou o preço" de não estar a alguns quilômetros dali, na Arena Pernambuco. Nélia tentou explicar.
- Eu não prestei atenção na venda dos ingressos. Quando fui ver, já era tarde demais. Fiquei frustrada por não poder levar Gabriel para a Arena Pernambuco. Ele ia amar.
Gabriel nasceu no Recife em 2007. Desde que veio ao mundo, não viu a Fúria decepcionar. Em 2008, campeã da Eurocopa. Em 2010, campeã do mundo. Em 2012, voltava a ser campeã da Europa. O menino viu tudo. Às vezes de longe, outras de perto. Afinal, ele é cidadão espanhol graças ao seu pai, que nasceu e ainda reside na Espanha. Sua mãe também é cidadã espanhola. Quando viaja ao Velho Continente, o fã de Iniesta, que também é aluno do Instituto, não decepciona: vai ao combate.
Foi assim na última vez que esteve em terras espanholas. Em agosto de 2012, foi ao Santiago Bernabéu ver o clássico entre Real Madrid e o Barcelona do seu ídolo. Naquela oportunidade, vitória dos Merengues por 2 a 1 e o título da Supercopa. Mas, em meio a ansiedade, Gabriel sabia que era o dia do troco.
- Quero ver Iniesta. Ele vai fazer um gol e vamos vencer por 3 a 0 - dizia o menino, em um português que se entrelaçava com o espanhol.
Quando as luzes se apagaram e o jogo começou a se desenhar no telão, Gabriel se ajeitou na primeira fila, ao lado de sua mãe. Não demorou muito para a aula começar. Atento, Gabriel viu tudo com os olhos vidrados. Piscar era difícil. Saiu o primeiro gol da Espanha. Logo, o outro. Em todas as vezes, o menino foi para os braços da mãe comemorar juntamente com a torcida de cerca de 50 "espanhóis". O primeiro tempo terminou e ele veio correndo - como de costume - dar um recado.
- Ainda falta o Iniesta!
O gol tão esperado não veio. Suárez acabou diminuindo para o Uruguai. Apesar da história do jogo pegar uma rota nunca imaginada por Gabriel, o menino abriu um sorriso largo no fim da partida. A declaração dada antes de ir embora mostrou que a confiança nos atuais campeões mundiais continua inabalável, assim como a idolatria por Iniesta.
- A Espanha venceu, você viu só? Iniesta joga muito! O próximo jogo é 3 a 0 para a Espanha.
Fontes:
http://g1.globo.com
http://g1.globo.com


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